
Fiquei com medo de acharem que eu morri, mas felizmente (ou infelizmente) eu ainda estou aqui. Sim, Érick Garcia está vivo mesmo, não é incrível? Talvez não fosse minha hora, ou quem sabe o destino reservara um período maior para que eu pudesse nadar em minhas filosofias.
Depois de comemorar com fervor um belíssimo halloween, uma brisa noturna insistia em me lavar com sua aura, e no segundo dia do mês de novembro acordei sobre uma cama. Dizem que vemos uma luz quando estamos chegando perto do final, mas eu não vi nada alem de uma grande tontura. Eu sentia que meus braços já não eram meus, minhas pernas já não me pertenciam também.
Há, desde então, uma terceira voz em minha cabeça. Além da voz dos meus pensamentos e a oposição de minha consciência, um fino grito de esperança me ajuda a guiar meus passos. Não sei bem o que é, talvez mais alguma dos jogos do coração. E então minha mãe disse, com lágrimas felizes nos olhos: "Você está me vendo?"
A resposta seria um sonoro NÃO, pois meus olhos pareciam amanteigados e o único sentido que me obedecia plenamente era a audição. Eu sabia que tinha morrido, não havia como negar, o tempo finalmente chegara para mim e me disse tristemente que o cuco pulava no relógio dos meus átrios.
E, de repente, eu estava vivo. Magia não era, nunca cri nessas besteiras... Fé? quem sabe, mas não tinha certeza disso. Mas então, depois de um certo tempo recalculando o que estava a minha volta, notei um detalhe muito importante. Era dia dos finados. Era meu dia, e a vida (segunda vida) fora meu presente.
Sempre gostei de receber presentes, mas esse foi eletrizante (literalmente). O médico, juntamente com meus pais, afirmaram que eu só voltara a consciência depois de duas descargas elétricas no peito, mas eu, mesmo assim, prefiro crer em minha teoria da data válida.
E não podia negar que era um presente disfarçado de maldade. Sabe... meu aniversário é no inicio do penúltimo mês, e a morte (não a vida) estava me dando mais frutos que qualquer outra coisa que já tive. Desde que soube de minha situação, procurei manter a calma e agir da maneira mais liberal possível com isso, mas depois de experimentar uma vez a doçura da morte... Nasceu um novo EU.
Esse novo Eu era a terceira voz em minha cabeça, uma terceira opinião sobre tudo. E quem sabe agora eu esteja feliz por conhecer melhor mundo. A voz cálida e gentil que me conduz sempre a uma alegria momentânea... algo que me faz esquecer do mundo e sua realidade.. que se dane, agora eu conhecia meu espirito.
Já faz tempo que não deixo aqui alguns de meus textos, isso porque estava viajando. Em mim. Eu precisava de um tempo meu comigo mesmo, sem nenhuma das minhas anteriores opiniões para flagelar a discussão. Eu posso sentir uma parte morta no peito, como uma cicatriz no coração.
.... Talvez eu vi nuvens de mais em minha mente... poderiam ser, também, ovelhas brancas de paz.... mas nada podia mentir que era limpo, claro e eternamente efêmero. Sim, sou um ser assim, parnasiano, romântico e realista de uma só vez.
NUNCA me senti tão doente... e IGUALMENTE feliz.