segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Segundo dia de Novembro


Fiquei com medo de acharem que eu morri, mas felizmente (ou infelizmente) eu ainda estou aqui. Sim, Érick Garcia está vivo mesmo, não é incrível? Talvez não fosse minha hora, ou quem sabe o destino reservara um período maior para que eu pudesse nadar em minhas filosofias.
Depois de comemorar com fervor um belíssimo halloween, uma brisa noturna insistia em me lavar com sua aura, e no segundo dia do mês de novembro acordei sobre uma cama. Dizem que vemos uma luz quando estamos chegando perto do final, mas eu não vi nada alem de uma grande tontura. Eu sentia que meus braços já não eram meus, minhas pernas já não me pertenciam também.
Há, desde então, uma terceira voz em minha cabeça. Além da voz dos meus pensamentos e a oposição de minha consciência, um fino grito de esperança me ajuda a guiar meus passos. Não sei bem o que é, talvez mais alguma dos jogos do coração. E então minha mãe disse, com lágrimas felizes nos olhos: "Você está me vendo?"
A resposta seria um sonoro NÃO, pois meus olhos pareciam amanteigados e o único sentido que me obedecia plenamente era a audição. Eu sabia que tinha morrido, não havia como negar, o tempo finalmente chegara para mim e me disse tristemente que o cuco pulava no relógio dos meus átrios.
E, de repente, eu estava vivo. Magia não era, nunca cri nessas besteiras... Fé? quem sabe, mas não tinha certeza disso. Mas então, depois de um certo tempo recalculando o que estava a minha volta, notei um detalhe muito importante. Era dia dos finados. Era meu dia, e a vida (segunda vida) fora meu presente.
Sempre gostei de receber presentes, mas esse foi eletrizante (literalmente). O médico, juntamente com meus pais, afirmaram que eu só voltara a consciência depois de duas descargas elétricas no peito, mas eu, mesmo assim, prefiro crer em minha teoria da data válida.
E não podia negar que era um presente disfarçado de maldade. Sabe... meu aniversário é no inicio do penúltimo mês, e a morte (não a vida) estava me dando mais frutos que qualquer outra coisa que já tive. Desde que soube de minha situação, procurei manter a calma e agir da maneira mais liberal possível com isso, mas depois de experimentar uma vez a doçura da morte... Nasceu um novo EU.
Esse novo Eu era a terceira voz em minha cabeça, uma terceira opinião sobre tudo. E quem sabe agora eu esteja feliz por conhecer melhor mundo. A voz cálida e gentil que me conduz sempre a uma alegria momentânea... algo que me faz esquecer do mundo e sua realidade.. que se dane, agora eu conhecia meu espirito.
Já faz tempo que não deixo aqui alguns de meus textos, isso porque estava viajando. Em mim. Eu precisava de um tempo meu comigo mesmo, sem nenhuma das minhas anteriores opiniões para flagelar a discussão. Eu posso sentir uma parte morta no peito, como uma cicatriz no coração.
.... Talvez eu vi nuvens de mais em minha mente... poderiam ser, também, ovelhas brancas de paz.... mas nada podia mentir que era limpo, claro e eternamente efêmero. Sim, sou um ser assim, parnasiano, romântico e realista de uma só vez.
NUNCA me senti tão doente... e IGUALMENTE feliz.

2 comentários:

  1. vc naum tem medo de tudo isso que est acontecendo com vc?
    quer dizer, medo de naum existir mais, de naum poder mais pensar, ver, sentir, deixar as pessoas de ama e que amam vc? bem, acho que eu ja sei a resposta
    mas, alguma vez, ja sentiu um desespero tao profundo que acho que naum iria aquentar? no seus texto vc parece estar tranquilo e naum se preocupar com o amanha, mas, é isso mesmo que vc esta sentindo?
    acho que por mais que vc se sinta só, preocupado, triste, naum vai querer demonstrar isso, principalmente para naum preocupar quem vc ama
    na verdade, queria muito saber o que vc esta sentindo nesse exato momento, sei la, as vezes qndo penso em naum existir mais, parar de pensar, parece ser insuportável

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  2. sim... Você tem razão caro "AdventureQuestWorlds", tenho medo. Realmente não quero simplesmente deixar de existir, sinto carência, fico mal, entro em depressão diversas vezes... mas não tenho o que fazer. Cheguei ao ponto de esperar o meu destino com o queixo erguido, estar tranquilo significa sentir o desespero sumir por nenhum motivo. Realmente essas sensações que citou são frequentes, mas só quem se vê numa situação como a minha entende o que é aceitar o próprio destino.

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