Eu nunca tive beijos verdadeiros. E não é hora de procurar por eles. Isso seria cruel para quem for verdadeira a me beijar. Logo agora nessa fase... ultima fase, é o momento em que pensamos se o que fizemos fora estritamente importante. O que foi desnecessário? o que foi estupendamente importante?
No fim de semana passado eu tive um choque cardiológico e precisei ser levado as pressas para o hospital. Passei duas horas tomando soro e no fim, voltei para casa da mesma forma que fui. A beira da morte. Afinal, para que me levaram ao hospital? Uma hora ou outra eu vou estar duro, pra que adiar?
Mas antes que eu me fizesse outra pergunta, a resposta me veio a tona. Mesmo que a hora vá chegar, é sempre bom atrasar algo que não estamos prontos para resolver. Procrastinar a morte é bom para eles, e de uma forma ou outra, para mim também. Me dá tempo de repensar sobre assuntos que ainda não me vieram a cabeça.
E acabo de descobrir porque tive um choque cardiológico, porque meu coração estava apaixonado de mais pela vida. Nunca tive um amor verdadeiro e ele sente falta de amor. Às vezes, alguns beijos de verdade podem ser melhores que remédios hospitalares.
E descobri também nada é melhor aqueles que te amam que te ver amando a vida. Mesmo estando ansioso para o fim, quero demorar-me aqui o máximo possível. Talvez eu deva fazer algum grande bem para a humanidade antes de ir, sei lá... descobrir a cura da AIDS.
BRINCADEIRA. esse foi só mais um post para ocupar espaço.
