
Esse fim de semana chamei meu (poucos) amigos para passar algum tempo aqui em casa. Deve ser bem difícil para eles olhar para mim sabendo que são os últimos tempos ao meu lado. E por isso eu resolvi quebrar o gelo.
Esperei até chegar o fim da tarde, naquela hora em que o sol decide deixar o céu laranjado e as nuvens parecem borrões. Quando a luz solar estava quase desaparecendo no horizonte, no meio de uma piada sobre portugueses, encenei uma crise. Me joguei ao chão fazendo ruídos estranhos e com os olhos mais abertos que eu consegui. Eles ficaram desesperados, gritaram por ajuda, tentaram me levantar, ligaram para uma ambulância e teve até um deles que passou mal por me ver assim.
Depois de uns cinco minutos fingindo um ataque do coração, levantei dando risadas. Eu nunca havia enfrentado feras como aquelas. Todos eles me olharam com cara de quem quer comer minha carne e quase voaram no meu pescoço. Engraçado, primeiro estavam desesperados para me salvar, depois queriam arrancar meu coração. O mundo é mesmo estranho. E mesmo assim eu não parava de rir.
A única garota do grupo suplicou para que eu não brincasse com essas coisas sérias, mas... fazer o que? Para mim, essa é a realidade, porque não brincar com a morte? Afinal não faz diferença nenhuma.
No fim, a ambulância chegou e agente fingiu que nem sabia o que estava acontecendo. Os bombeiros bateram a minha porta e eu atendi com um sorriso maior que a boca, como se nada tivesse acontecido. Fiquei mal depois, por ter tirado os bombeiros de seus trabalhos enquanto podia ter gente precisando do serviço deles naquele momento, mas... não podia fazer mais nada.
Bem isso funcionou, quebrou o gelo. Dessa forma eles puderam entender como eu encaro
essa minha realidade. Estamos rindo até hoje, e sabe... eles entraram na brincadeira depois também. Já marcamos de fazer isso em sala de aula.
Afinal, porque eu ainda estou na escola? [ bem, isso já é outra história]
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